quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Marcas de bola na parede da mente !


Marcas de bola na parede 
da mente !

Das lembranças agradáveis que guardo comigo do período de três anos que morei em Fortaleza quando ministrava aulas no Seminário Teológico da IPI do Brasil, guardarei para sempre os “rachas” de futebol de salão que jogávamos às 5ª. Feiras após as aulas do período noturno, os jogos começavam por volta das 22:45 horas e, por vezes se estendia até às 01:00 da manhã! Na quadra do seminário, alunos, professores e moradores de um prédio vizinho se engalfinhavam em busca da sofrida pelota, testemunha de jogadas impossíveis de serem narradas, tal suas esquisitices. Normalmente, as disputa mais intensas se davam quando o time do seminário jogava contra o time dos rapazes do prédio vizinho. Naqueles poucos metros de cimento sem pintura ou marcações de quadra, testemunhei lances geniais, gols dubitáveis devido ao eterno rasgo das redes, confrontos de morte entre o Vacão e a Cabeça, saltos triplos mortais do Wellington de Boa Viagem, que, aliás, sempre jogava de calça social e sapatos bem engraxados, vai entender! Certa vez ao receber um passe, digamos “um pouco vigoroso” do Ricardo, o Boa Viagem, exclamou: cara, eu pedi um passe e não uma mancha no pulmão!


Ali, tive o privilégio e a alegria de jogar com estes amigos, servos de Deus, com meus filhos, Paulo, Flávio e até o Lukinha, dando os seus primeiros passos rumo à Libertadores! O duro era ouvir nessas noites da Mercia: “Êita, quero ver amanhã toda essa disposição na hora de acordarem pra ir à escola!”




Paulo Monteiro


Outubro/2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Fado com carne seca e gibão..e é? é.

FADO  COM  CARNE  SECA  E  GIBÃO... e é? é.

Caro internauta, me permita compartilhar com você um pouco do meu bem querer pelo fado, pelo aboio e pela incelença. A palavra fado vem do latim  fatum, ou seja, "destino", daí vem a palavra fada.  Estilo musical tipicamente português, que tem como característica principal o grito da alma, a melancolia, a saudade que dilacera a musculatura do peito e que faz o mais forte dos viventes, urrar como um cabrito que se perdeu da mãe. Historiadores apontam  os navios portugueses que se aventuravam no além mar, como o útero do fado, é conhecida a imagem do marinheiro na proa do navio gemendo de dor, dor de saudade!



FADO DO MARINHEIRO

Perdido lá no mar alto
Um pobre navio andava;
Já sem bolacha e sem rumo
A fome a todos matava.


Deitaram a todos as sortes
A ver qual d'eles havia
Ser pelos outros matado
P´ró jantar daquele dia



Caiu a sorte maldita
No melhor moço que havia;
Ai como o triste chorava
Rezando à Virgem Maria.



Mas de repente o gageiro,
Vendo terra pela prôa,
Grita alegre pela gávea:
Terras , terras de Lisboa.


O fado traz além da saudade, da sina, do ciúme e da dor  sentimentos que não podem ser expressos através de palavras catalogadas em qualquer que seja o idioma.  Os sons do canto do fado, do choro das guitarras portuguesas me fazem lembrar o “aboio” do vaqueiro sertanejo, as “incelenças” das rezadeiras e beatas que com suas ladainhas espantam as crianças em velórios realizados no meio das matas do maranhão,!  O morto estendido na mesa rodeado de carpideiras,  no fogão à lenha, bolos sendo assados pras visitas, e  lá no terreiro, um grupo de homens tomando cachaça fabricam o caixão do defunto com talas de buriti, luz ? Só as das lamparinas que “funcionam” com querosene, ajudam a produzir um cheiro que não se esquece jamais ...cheiro de querosene queimada misturado com cheiro de bolo e de defunto morto de morte morrida ontem à tarde!

De cara, apresento a mais exponencial das “fadistas” da atualidade, claro, sem jamais esquecer Ercília Costa, Amália Rodrigues etc.

Mariza dos Reis Nunes nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, na antiga Lourenço Marques, à época capital da província ultramarina portuguesa de Moçambique. É filha de pai português, José Brandão Nunes, e mãe moçambicana, Isabel Nunes.

Sobre o estabelecimento onde aprendeu a cantar o fado e onde atuou pela primeira vez aos cinco anos, já envergando um xale negro, Mariza referiu:

            “Foi aqui que toda a história começou. Se calhar é aqui que vai acabar. Tudo pode acabar de repente, tal como começou, e eu volto à minha Mouraria e à taberninha dos meus pais para servir dobradinhas e copos de vinho que não me chateia nada!”

Composição: Amália Rodrigues
É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra
Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago

Foi de vós que recebi
E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi


http://www.youtube.com/v/TeOhPR_0x8E&hl=pt_BR&fs=1&

Aniversário da 1a. IPI de Campinas Abril/2010

140 ANOS - Pastor Paulo Monteiro e cantor João Alexandre confirmados para o culto de domingo, 18. Conheça fotos e um perfil do pastor convidado

Paulo César Barros Monteiro, que já foi pastor da Primeira IPI e atualmente está na Primeira de Bauru e o cantor João Alexandre são os convidados para o terceiro culto da programação dos 140 anos, marcado para este domingo, às 18h30. Paulo é o pregador da noite e João Alexandre e sua banda apresentarão hinos e canções em louvor ao Senhor.

Paulo César Barros Monteiro O pastor Paulo César Barros Monteiro, pregador do culto deste domingo (18), tem algumas histórias que o ligam a Campinas. Foi aqui que terminou o curso de Teologia e que nasceu seu terceiro filho, Lucas. Trabalhou por quatro anos na Primeira IPI. Quando a igreja estava sem pastor, em 19 de novembro de 2000 e ele ainda era seminarista, pregou no culto matutino, em um dia que quase nem teve sermão. Paulo Monteiro acredita que todos deveriam ter atuação política. Detesta política eclesiástica: “Se os éticos se afastarem, vai sobrar espaço para os anti-éticos”, afirma. Pela convicção é filiado ao Partido Social Cristão (PSC) e expressa muitas de suas opiniões em um blog pessoal. Às vezes extrapola as fronteiras do espaço virtual, onde mantém ainda uma comunidade no Orkut. O jornal O Estandarte já publicou mais de uma vez suas posições. Que geraram replícas e tréplicas. “Pendenga” é a forma que dá a estas incursões. O hotsite 140 anos encaminhou algumas perguntas para o pregador deste domingo sobre tema diversos. Monteiro respondeu a todas – e mais algumas coisas... Confira, em tópicos, suas respostas, opiniões e veja GALERIA DE FOTOS.
Primeiro sermão
“Certa manhã, enquanto conversava com colegas seminaristas no intervalo de aula no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, um dos alunos comentou: ‘Neste último domingo a 1ª IPI aqui de Campinas experimentou uma divisão, o pastor comunicou na hora do culto que estava saindo para organizar uma nova igreja e quem quisesse poderia segui-lo'. Ouvi aquela história, cheguei em casa, comentei com minha esposa Mercia, e disse que iria com a família no próximo domingo àquela igreja. Chegando o domingo, nos dirigimos à igreja para a Escola Dominical. Recordo-me de ter encontrado logo no estacionamento da igreja os irmãos Rubens, Éssio e Márcia Silveira. Ao me apresentar como seminarista da 1ª IPI de Bauru, logo fui conduzido ao templo pelo irmão Éssio e apresentado ao presbítero Paulo Camargo, que com sua bengala (tinha acabado de fazer uma cirurgia), andava atarefado, explicando os motivos da divisão para alguns membros atônitos. Naquele mesmo instante o presbítero Paulo me perguntou se poderia pregar naquele culto matutino. Convite prontamente atendido, ali começou essa história de amor entre nós, Paulo Monteiro e a 1ª IPI de Campinas”.
Presbiterianismo, cemitério... “Sou um apaixonado por história da protestantismo brasileiro, tema de minha dissertação de mestrado, “Raízes do cisma presbiteriano brasileiro”. Fui o primeiro aluno a defender sua dissertação no mestrado em Ciências da Religião do Mackenzie.”

“Enquanto residia em Campinas, gostava de visitar o Cemitério da Saudade. Não por ter vontade de ali fixar minha residência, mas porque estão sepultados naquele local pioneiros importantes do protestantismo brasileiro, como George Nash Morton e Edward Lane, dentre outros.”

“Da minha passagem pela 1ª IPI de Campinas, recordo a benção de poder manusear atas e registros históricos desta igreja, a oitava igreja presbiteriana a ser organizada no Brasil”
Sargento?
“ Ao receber o convite do pastor Calvino para ajudar como seminarista desta igreja, estava passando férias no Maranhão. Convite aceito, interrompi as férias e voltei imediatamente para Campinas. Foi quando, ao ser indagado por um irmão da igreja de Bauru sobre onde atuaria como seminarista naquele ano, respondi que seria na 1ª IPI de Campinas. Ao que o irmão alertou: ‘Cuidado. Conta-se que em Campinas tem um irmão sargento da reserva do Exército, que é bravo demais da conta, pega no pé dos pastores, seminaristas etc’ Chegando em Campinas, constatei que o irmão ‘sargento’ e bravo, era na verdade o tenente-coronel Enjolras, presbítero em disponibilidade, que veio a tornar-se um dos meus melhores amigos, conselheiro e apoiador ministerial. Recordo-me, com gratidão, que em determinado momento de luta ouvi do presbítero Enjolras: ‘reverendo Paulo, deixa de ser teimoso. Apenas ore.’

Servo amarelo
“O meu único objetivo de vida é servir ao Senhor como pastor de almas. Gosto de dizer: ‘não passo de um amarelo servo do Senhor’”.
Fortaleza, 2006
“Em 2006 eu aceite um convite do Seminário Teológico de Fortaleza, instituição de ensino da IPI do Brasil. Permaneci por três anos, como professor de diversas disciplinas, como Psicologia Pastoral, História da Igreja, Homilética e Ética Cristã. Enquanto residia em Fortaleza, trabalhei na advocacia e professor da Faculdade de Direito Christus, nas disciplinas de Criminologia e Psicologia Jurídica. Gosto de dizer que foi um período de refrigério muito especial a minha estada no Ceará, já que de lá para o Maranhão era “um pulo” de 700 km apenas, aproveitando para ir à minha terra natal até três vezes por ano. Com a decisão da igreja nacional de fechar os seus seminários, e tendo sido convidado pela 1ª IPI de Bauru, retornei em 2009 à "cidade sem limites"[apelido de Bauru] para compor mais uma vez a equipe pastoral daquela amada igreja. Aqui sirvo ao Senhor atualmente.”

Política
“Não poderia deixar de falar de minha grande paixão por política secular. Detesto política eclesiástica. Sempre fui filiado a algum partido político. Defendo participação efetiva dos cristãos na condução dos rumos políticos do país. “Se os éticos se afastarem, vai sobrar espaço para os anti-éticos”. Atualmente é primeiro secretário do Partido Social Cristão(PSC) em Bauru .
Cultura inútil
“Como cultura inútil recordo-me do nome, partido e Estado dos 81 senadores da República.”
Pendenga
“Vez por outra me envolvo numa pendenga através do jornal O Estandarte, órgão oficial da IPI do Brasil. Atualmente afirmo abertamente através das páginas do Estandarte que as lideranças protestantes tiveram papel vergonhoso e covarde no período em que o governo era dirigido pelos militares, motivo de refrega com alguns leitores.

Paulo por ele mesmo

Paulo Cesar e família
“Paulo César Barros Monteiro, 41 anos, casado com Mercia Monteiro. Pai de Paulo Emmanuel, Flávio Douville e Lucas Walther. Pastor auxiliar da 1ª IPI de Bauru. É maranhense de Caxias. Formado em Psicologia (Unesp-Bauru), Direito (ITE-Bauru) e Teologia (Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas). Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Mackenzie, São Paulo. Terceiro filho entre seis irmãos. Filho de Flávio Monteiro e Bárbara Monteiro, residentes no Maranhão.”
“Fez sua pública profissão de fé aos 15 anos, na Igreja Presbiteriana de Caxias. Aos 18 anos foi estudar Teologia no Seminário Presbiteriano do Norte, em Recife (Pernambuco). Interrompeu o seminário no 3º ano e veio para São Paulo fazer Faculdade de Psicologia em Bauru, voltando ao seminário para completar seus estudos teológicos apenas em 1999, quando já era casado e trabalhava como advogado em Bauru.”
“Foi através do apoio e incentivo do pastor Valdemar de Souza, então pastor da 1ª IPI de Bauru, que se sentiu seguro para retornar ao seminário. Foi licenciado em 2002 e ordenado ao Sagrado Ministério em fevereiro de 2003, tornando-se pastor auxiliar da 1ª IPI de Campinas, tendo sido esta sua primeira igreja como pastor ordenado.”

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Carradas de Melancia!

Carradas de Melancia!



Dura mais agradável tarefa, era, ajudar descarregar as melancias da velha rural cor de abórbora e branca, aliás, foi à bordo da mesma que me sentir motorista pela primeira vez! (depois conto essa história). Melancias que vinham do Sítio do Meio ou da Boa Hora. Melancias espalhadas no terraço, naquele tempo, as compridas eram as mais abundantes, lindas, rasgadas no peito por uma boa facada, expunham sua vermelhidão, seu cheiro, suas sementes pretinhas, jorravam seu suco no canto das nossas bocas, eram tantas e tão robustas que só comíamos o vigor de suas carnes mais gordas e encarnadas! Ligeiro, cortávamos outra e outra...não lembro de ter ouvido uma queixa do Tio Pedim com tanta sobra de carnes de melancia desperdiçadas, só lembro de suas satisfação através de sorrisos, em ver seus filhos e sobrinhos com o buxo pra estourar de tanta carne de melancia! Olhava e saía arrastando sua velha sandália de couro, voltava pra quitanda, ia atender a freguesia! Vem desse tempo minha paixão por melancia, pena que hoje, as redondas são as mais comuns, ouvir dizer que tem até melancia quadrada lá pras bandas do Goiás!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Lampejos de memória....


Lampejos de memória....




Segundo consta no assento de cartório e lembranças da mamãe, nasci na rua do porto grande em Caxias!  Tempos mais remotos que perpassam meu consciente dão conta de Codó, cidade encravada no sertão maranhense, não sei precisar quantos anos por ali moramos...de Codó rememoro fazendo força: Da casa de palha no puraqué, bairro distante do centro da cidade, das longas caminhadas em avenida asfaltada rumo à igreja presbiteriana e rumo à casa de minha vó!  Da igreja lembro de nomes e pessoas como Nati, irmã Dulce...do Colégio João Ribeiro, escola primeira dos meus irmãos Karla e Carlos, em Codó fui alfabetizado por uma professora maravilhosa, de quem nem lembro o nome, mas de quem jamais esqueci a  afeição! Fomos embora para Caxias, por várias férias voltei ao Codó, ainda hoje, quando vou ao Maranhão, se tenho tempo “mato” a vontade de por ali passar, tenho muitos parentes!! De um salto, minha memória me transporta para Caxias, princesa do sertão, voltava para o útero citadino...segundo minha mãe, para Caxias, voltamos à força, aproveitando viagem de meu pai para o Rio de Janeiro, ela conta que jogou os parcos móveis em cima de um trem e se mandou de Codó, “Ali só conhecemos pobreza e atraso...Graças  a Deus, fomos embora...”
Em Caxias, fomos morar na rua do cangalheiro, bairro próximo ao centro, igreja nova, amigos novos, dessa rua me lembro bem do sr. Massa Bruta, negro, alto, forte, nunca esqueci o tamanho de suas mãos...sua casa era vizinha à nossa, tinha uma televisão “preto e branco”, ali assistir pela primeira vez o Sítio do pica-pau-amarelo, muitos episódios...ali minha mente se interessou pelas fantásticas viagens da imaginação, fantasias de menino!!!! Aliás, minha mãe conta que Massa Bruta, tinha sido segurança pessoal do ex-governador do Maranhão, Eugênio Barros, dizem que num levante golpista que no Palácio dos Leões aconteceu, Massa Bruta matou gente! “”
Aqui vale contar rapidamente um episódio que me colocou pela primeira vez de cara com a morte... Era um domingo, tinha cerca de 07 anos, chegamos da igreja, almoçamos, meus pais foram deitar um pouco, eu e meu irmãos velho, o Carlim, decidimos ir brincar na beira do rio, ali encontramos uma canoa amarrada à uma árvore, corrente comprida, cada um tinha sua vez de subir na canoa, enquanto o outro empurrava a mesma rumo ao rio, até que a corrente esticava e quem estava na margem puxava a corrente, numa dessas vezes, enquanto eu estava sentado na canoa, meu irmão empurrou a canoa e lá se foi, a corrente partiu, quando percebi, me desesperei e ainda pensei em pular, mas fiquei com medo, o rio estava cheio, correnteza forte, sentei e meu irmão gritou: Não pula, vou buscar ajuda. Pois bem, a ajuda que ele buscou foi entrar em casa “voando” e gritando no quarto dos meus pais...o Paulo desceu no rio, o Paulo desceu no rio!!! Minha mãe conta que desesperada, correu para a beira do rio e só pensava em pular na água para ver se me achava no fundo do rio!!! Quando lá chegou, percebeu que o pior já tinha passado, um pescador, me viu descendo sozinho no meio do rio, me acompanhou com sua canoa e me resgatou seguro para a margem...naquele domingo, não sei se apanhei, mas registrei como sendo o maior medo que já passei na minha infância!

PCBM
22/06/2010

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Vi o mar, já podia morrer.




Desde que me entendo por gente e ouvir falar do mar, desejei ver o mar! Nas andanças dos meus pensamentos se entrecruzavam a realidade das imagens dos retratos do mar que eu ia conhecendo com as imagens da minha imaginação. Quem nasce e cresce no sertão, seja ele qual for, de onde ele for, padece desse desejo, desse pensamento, dessa vontade que não passa nunca, parece coceira de frieira, em que o cabra coça até dormindo os entremeios do dedos do pé, êita coceira danada de boa!
Várias foram as tentativas frustradas de ver o mar, até o tio que por lá morava, nunca se lembrou de convidar quem por aqui ficou, era de dar raiva...mas deixa pra lá!
Até que um dia, numa comitiva de estudantes que foram congressar lá nas bandas da capital, o tema do congresso? sei lá, surgiu a oportunidade de conhecer o mar...

Seis horas no ônibus, um tal de monobloco fretado, fedia que nem pano de proteger sofá! A roedeira da ansiedade, o balacobaco do motor, a sonolência do motorista, logo expulsa por um café no boteco do peritoró, e tome chão, tome placa, tome buraco, tome palmeira de babaçu...já amanhecia o dia quando alguém gritou: São Luis, terra dos ribamar, única capital que não nasceu lusitana à vista!
Antes de aportar nos alojamentos do tal congresso, rumamos para o mar...pura pressão dos estudantes do sertão, “vamos logo para o mar, vai que depois o tempo se escafede e não dá tempo ver o mar”.

Áh! se eu soubesse pintar, desenhar...faria a imagem da minha memória pipocar numa parede, num papel de fotografia..seria mais ou menos assim: A ladeira fez as vezes de parede, de venda, de tapa-olho enquanto teve força pra agüentar os cavalos do motor do velho ônibus...até que mais que de repente, se abriu a cortina do céu e cá em baixo se misturou nas minhas vistas a imagem mais bonita que meus olhos jamais viram...era o mar, faceiro, derrubava suas ondas como se fosse a beirada de um vestido de cor azulado com um babado esbranquiçado.  Na caixa do meu peito, arrebentou uma orquestra, um aboio, um fado, até hoje não sei...nunca mais senti aquela sinfonia. Olhei procurando o fim do mar, ou talvez seu começo não sei...só sei que naquele dia pensei...hoje eu já podia morrer, vi o mar.

21-06-2010
PCBM