terça-feira, 22 de junho de 2010

Lampejos de memória....


Lampejos de memória....




Segundo consta no assento de cartório e lembranças da mamãe, nasci na rua do porto grande em Caxias!  Tempos mais remotos que perpassam meu consciente dão conta de Codó, cidade encravada no sertão maranhense, não sei precisar quantos anos por ali moramos...de Codó rememoro fazendo força: Da casa de palha no puraqué, bairro distante do centro da cidade, das longas caminhadas em avenida asfaltada rumo à igreja presbiteriana e rumo à casa de minha vó!  Da igreja lembro de nomes e pessoas como Nati, irmã Dulce...do Colégio João Ribeiro, escola primeira dos meus irmãos Karla e Carlos, em Codó fui alfabetizado por uma professora maravilhosa, de quem nem lembro o nome, mas de quem jamais esqueci a  afeição! Fomos embora para Caxias, por várias férias voltei ao Codó, ainda hoje, quando vou ao Maranhão, se tenho tempo “mato” a vontade de por ali passar, tenho muitos parentes!! De um salto, minha memória me transporta para Caxias, princesa do sertão, voltava para o útero citadino...segundo minha mãe, para Caxias, voltamos à força, aproveitando viagem de meu pai para o Rio de Janeiro, ela conta que jogou os parcos móveis em cima de um trem e se mandou de Codó, “Ali só conhecemos pobreza e atraso...Graças  a Deus, fomos embora...”
Em Caxias, fomos morar na rua do cangalheiro, bairro próximo ao centro, igreja nova, amigos novos, dessa rua me lembro bem do sr. Massa Bruta, negro, alto, forte, nunca esqueci o tamanho de suas mãos...sua casa era vizinha à nossa, tinha uma televisão “preto e branco”, ali assistir pela primeira vez o Sítio do pica-pau-amarelo, muitos episódios...ali minha mente se interessou pelas fantásticas viagens da imaginação, fantasias de menino!!!! Aliás, minha mãe conta que Massa Bruta, tinha sido segurança pessoal do ex-governador do Maranhão, Eugênio Barros, dizem que num levante golpista que no Palácio dos Leões aconteceu, Massa Bruta matou gente! “”
Aqui vale contar rapidamente um episódio que me colocou pela primeira vez de cara com a morte... Era um domingo, tinha cerca de 07 anos, chegamos da igreja, almoçamos, meus pais foram deitar um pouco, eu e meu irmãos velho, o Carlim, decidimos ir brincar na beira do rio, ali encontramos uma canoa amarrada à uma árvore, corrente comprida, cada um tinha sua vez de subir na canoa, enquanto o outro empurrava a mesma rumo ao rio, até que a corrente esticava e quem estava na margem puxava a corrente, numa dessas vezes, enquanto eu estava sentado na canoa, meu irmão empurrou a canoa e lá se foi, a corrente partiu, quando percebi, me desesperei e ainda pensei em pular, mas fiquei com medo, o rio estava cheio, correnteza forte, sentei e meu irmão gritou: Não pula, vou buscar ajuda. Pois bem, a ajuda que ele buscou foi entrar em casa “voando” e gritando no quarto dos meus pais...o Paulo desceu no rio, o Paulo desceu no rio!!! Minha mãe conta que desesperada, correu para a beira do rio e só pensava em pular na água para ver se me achava no fundo do rio!!! Quando lá chegou, percebeu que o pior já tinha passado, um pescador, me viu descendo sozinho no meio do rio, me acompanhou com sua canoa e me resgatou seguro para a margem...naquele domingo, não sei se apanhei, mas registrei como sendo o maior medo que já passei na minha infância!

PCBM
22/06/2010

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